domingo, 5 de fevereiro de 2017

Assim como a Odebrecht, Andrade Gutierrez teria departamento de propina

Em delação premiada à Operação Lava Jato, ex-executivos da empreiteira Andrade Gutierrez relataram que a empresa mantinha um tipo de “tesouraria interna” voltada ao pagamento de propina e caixa dois para agentes públicos. De acordo com informações da Folha de S. Paulo, os delatores apontaram o esquema para a força-tarefa do Rio e Curitiba em depoimentos recentes.

De acordo com a delação de um ex-executivo do grupo mineiro, a “tesouraria” contava com dinheiro em espécie, operado pelo doleiro Adir Assad, preso desde agosto do ano passado. A maior parte do dinheiro teria sido gerado por meio de contratos falsos estabelecidos entre a Andrade Gutierrez e empresas de fachada de Assad.

Investigações do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro mostraram que empresas teriam utilizado recibos falsos para abastecer o caixa dois da Andrade Gutierrez com mais de R$ 176 milhões.

Entre as obras que teriam recebido pagamento de propina do departamento estão o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), a Ferrovia Norte-Sul e estádios da Copa do Mundo, temas já delatados por executivos e ex-executivos da Andrade, em acordo fechado em 2015.

As investigações da Lava Jato já haviam revelado um esquema institucional de pagamento de propina e caixa dois dentro da Odebrecht, no setor de operações estruturadas da empresa, área dedicada ao pagamento de recursos ilícitos do grupo baiano.

O setor foi descoberto e seu funcionamento foi detalhado na delação premiada assinada pela empresa em dezembro do ano passado. A Odebrecht teria pago R$ 2,6 bilhões em suborno no Brasil e em 12 países.

JORNAL DO BRASIL

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