sábado, 4 de fevereiro de 2017

'Marisa morreu triste', diz Lula em discurso no fim do velório

O velório de Marisa Letícia Lula da Silva foi encerrado neste sábado (4) por volta das 15h35 após um longo discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula falou por cerca de 40 minutos logo depois de uma cerimônia ecumênica presidida pelo bispo emérito da diocese de Bauru, dom Dom Angélico Sândalo Bernardino.

“Eu vou continuar agradecendo à Marisa, até o dia que eu não puder mais agradecer, o dia em que eu morrer. Espero encontrar com ela, com esse mesmo vestido que eu escolhi para colocar nela, vermelho, para mostrar que a gente não tinha medo de vermelho quando era vivo, e não tinha medo de vermelho quando morre”, disse Lula, profundamente emocionado.

O ex-presidente alternava a fala pausada com momentos em que era tomado pela emoção, e era interrompido por palmas de populares, familiares, amigos e militantes do PT que lotavam o terceiro andar do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP). Lula lembrou dos momentos em que conheceu Marisa, no Sindicato, e da história deles juntos.

“Ela está com uma estrelinha do PT no seu vestido, e eu tenho orgulho dessa mulher. Muitas vezes essa molecada [os sindicalistas] dormia no chão da praça da matriz [de São Bernardo do Campo] e a Marisa e outras companheiras vendendo bandeira, vendendo camiseta para a gente construir um partido que a direta quer destruir”, disse.

No momento mais forte de seu discurso, o ex-presidente disse que Marisa morreu triste, que fizeram uma “canalhice” contra ela e que quer provar a inocência da esposa nas investigações da Operação Lava Jato, em que era ré junto com Lula em duas ações penais. “Na verdade, Marisa morreu triste. Porque a canalhice que fizeram com ela, e a imbecilidade e a maldade que fizeram com ela, eu vou dedicar [Lula não encerrou a frase]. Eu tenho 71 anos, não sei quando Deus me levará, acho que vou viver muito, porque eu quero provar que os facínoras que levantaram leviandade com a Marisa tenham, um dia, a humildade de pedir desculpas a ela”, disse, emocionado.

Cremação

Após o velório, o corpo da ex-primeira-dama foi levado para o crematório do cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo. A ex-primeira-dama morreu ontem (3), aos 66 anos, após ficar dez dias internada no hospital Sírio-Libanês onde Marisa estava internada desde o dia 24 de janeiro após sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico.

Velório

Políticos e autoridades compareceram ao velório da ex-primeira-dama Marisa Letícia, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, local onde o casal se conheceu. A ex-presidente Dilma Rousseff chegou à cerimônia por volta das 11h30. Ela cumprimentou Lula e permaneceu ao lado do caixão recebendo abraços de populares.

Ao chegar ao velório, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que a ex-primeira-dama foi “vítima de perseguição”, o que teria agravado seu estado de saúde. “Estou engasgado com isso. Ela foi vítima de uma perseguição gigantesca e não aguentou”, disse o senador.

Segundo o vereador de São Paulo Eduardo Suplicy (PT-SP), Marisa estava sempre junto de Lula. "Algumas vezes que jantei no Alvorada ela estava sempre amável nos recebendo. Então, eu venho aqui mais uma vez dar meu abraço a Lula e a todos os companheiros recordando os momentos significativos na vida do Brasil", disse.

Ele também se disse impressionado pela visita de adversários políticos de Lula. "Fiquei bastante impactado com a visita do Temer, FHC, José Sarney, José Serra e Henrique Meirelles e que o Lula teve a oportunidade de dizer a eles que, por mais que tivessem opiniões diferentes sobre o que está se passando no Brasil, queria agradecer a todos e se colocar à disposição para dialogar", afirmou Suplicy.

O vereador ressaltou que Lula disse estar disposto a conversar com Temer, mesmo que "todos soubessem que ele queria que quem tivesse ali era outra pessoa".

Na sexta-feira (3), antes da confirmação da morte da ex-primeira-dama, o ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes (PDT) foi ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Na saída, Ciro afirmou que, apesar de triste, Lula está “firme”.

“Precisamos chamar a atenção para a compaixão, que é a premissa para distinguir o ser humano de uma besta”, afirmou o pedetista, que foi ministro da Integração Nacional durante o governo Lula.

Deputado federal e ex-ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB-SP) também destacou o clima de solidariedade com Lula. “Apesar dos conflitos, ainda existe maturidade. Todo mundo sabe que Marisa era o equilíbrio emocional do Lula”, disse o ex-ministro.

Nas redes sociais, Lula lembrou com carinho da esposa. "A ex-primeira-dama costurou a primeira bandeira do PT, começou a trabalhar aos 9 anos e organizou resistência das mulheres durante as grandes greves do ABC."

O corpo de Marisa Letícia foi coberto com as bandeiras do Brasil e do PT. Também foram ao velório o presidente do PT, Rui Falcão; o deputado Waldir Maranhão; Jair Meneguelli, ex-presidente da CUT, Vicentinho, deputado federal, Gilberto Carvalho, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, outros ex-ministros dos governos PT como Luiz Dulci, Juca Ferreira e Marco Aurélio Garcia. Luiz Fernando Pezão, governador do Rio de Janeiro, Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da Educação, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, Eleonora Menicucci, ex-ministra da Secretaria de Política para Mulheres, entre outros também foram levar seu abraço.

JORNAL DO BRASIL

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